Aquele que se propõe a tomar a dianteira na administração de uma pequena ou média empresa - incluídas a microempresa e a empresa de pequeno porte - nem sempre consegue se dar ao luxo de ter ao seu lado especialistas nas áreas vitais ao êxito do negócio.
Terá que fazer a lição de casa, conhecendo o que há de relevante em cada tema que pode afetar o seu desempenho, até mesmo para poder avaliar a performance dos assessores, colaboradores e parceiros.
Apesar disso, há empresários que ainda insistem em resistir ao fato, saindo-se com justificativas do tipo: se tiver que conhecer sobre contabilidade, gestão, economia, direito e, entre outros, marketing, perderei o foco do negócio.
Ledo engano. A diversidade do ambiente empresarial acaba exigindo um planejamento que contemple o estudo minucioso das principais áreas de risco, sob pena de o empreendedor ter diante de si um ótimo produto ou serviço que, porém, ou não atenderá a demanda do mercado ou o fará a duras penas, corroendo recursos já escassos.
Em outras palavras, de que adiantará perceber que a contabilidade apresenta graves falhas ou que os métodos gerenciais são inadequados à realidade mercadológica, ainda que por desprezo a riscos oriundos da macroeconomia ou do próprio sistema tributário a que se vincula, se tal percepção não ocorrer com a antecedência que possibilite algum ajuste?
Como diz o ditado: “O diabo mora nos detalhes”. Na mesma linha, temos um dos provérbios clássicos da coletânea de Murphy: “Se alguma coisa pode dar errado, dará. E mais, dará errado da pior maneira, no pior momento e de modo que cause o maior dano possível”.
Vivemos em um mundo em que só por ilusão se concebe que nunca haverá problemas, que todos são sempre confiáveis, que o mercado é previsível, que as leis são justas. Estamos sob o risco constante de ter no vizinho o mais cruel dos adversários - aquele que não pensará duas vezes antes de tentar nos desferir um golpe mortal.
Todavia, esta faceta da realidade não deve nos aprisionar. Por mais dura que seja a constatação, é preferível o conhecimento à ignorância, porque, senão pudermos eliminar a fonte do risco, teremos tempo, ao menos, para atenuar o seus efeitos.
Por exemplo, é possível que a partir de certa relação entre faturamento e insumos o modelo tributário vigente precise ser repensado ou que pelo volume de negócios a qualificação da equipe de apoio deva ser reformulada.
É também plausível que o capital de (ou em) giro se revele inadequado aos requisitos do ambiente ou que algum dos agentes de mercado possa, por assim dizer, se rebelar contra a empresa, expondo-a a vulnerabilidades potenciais.
Seguramente, os desafios são inúmeros. A boa notícia é que com a abordagem adequada facilitaremos em muito o processo, diminuindo o desgaste que a caminhada tende a render.
Uma compreensão que pode bem representar o divisor de águas diz respeito à consciência do momento do tempo em que a ação é necessária, porque o passado já foi e o futuro jamais chegará.
Se realmente quisermos que algo mude ou que dada tendência não se manifeste, temos que agir no aqui e agora. Como afirmou um autor: não temos nada além do “presente precioso”.
Em meio às possibilidades, é importante subjugar o mito de que quanto mais atirarmos maiores serão as chances de atingirmos o alvo, pois não se trata meramente de quantidade e sim de qualidade, o que também pressupõe foco...
Fonte: Ariovaldo Esgoti
* Essa matéria aqui apresentada foi retirada da fonte acima citada e cabe à ela o crédito pela mesma.